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Sou cirurgião
dentista há mais de quinze anos, tendo nos últimos seis
anos me dedicado, também, ao trabalho de levar conforto e alegria
aos diversos pacientes, em especial àqueles com doenças
graves, como câncer, com fortes traumatismos, crianças
de um modo geral e idosos.
Ao longo do meu trabalho voltado para o atendimento a pacientes
em estado grave, observei que o estado de ânimo daqueles pacientes
tinha uma importante influência no seu tratamento e recuperação.
Muitos deles permaneciam internados no Hospital por vários
dias ou semanas, algumas vezes, sem receber visitas, o que contribuía
ainda mais para a criação de um ambiente de tristeza
e desolação que prejudicava o trabalho de recuperação,
contribuindo muitas vezes para o agravamento do problema.
Um dia, levei meus instrumentos
musicais para o Hospital. Concluído meu plantão, dirigi-me
para um dos ambientes em que se encontravam os pacientes com doenças
terminais e sentei-me ao lado deles, comecei a tocar violão
e a cantar músicas do nosso cancioneiro popular e de louvor
a Deus. Pude assim observar que os rostos se iluminaram. Naquele
momento, percebi que aqueles corações se alegraram
e uma nova fonte de energia, oriunda da solidariedade humana, tomou
conta daqueles corpos fragilizados.
Já se passaram seis anos
daquele momento mágico que me sensibilizou a alma. Nunca
mais deixei de levar aos pacientes mais necessitados aqueles momentos
musicais. Vejo que eles representam verdadeiros afagos espirituais
àqueles seres sofridos que, por um instante, podem substituir
o gemido da dor pelo sorriso estampado no rosto pálido e
a desesperança pelo brilho no olhar.
Aprendi muito com meus pacientes.
Aprendi, sobretudo, no convívio com eles, a ver a grandeza
do verdadeiro significado do AMOR, o maior antibiótico do
mundo.
Assim, sabendo do interesse da
produção do Jornal, coloco-me a sua inteira disposição
para discutirmos com mais detalhes esse magnífico trabalho
que venho desenvolvendo no Hospital Walfredo Gurgel, na cidade de
Natal, Rio Grande do Norte.
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